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Schröder renova apoio à Turquia

(ms)4 de outubro de 2004

O ingresso da Turquia na União Européia continua contando com o apoio do chanceler federal da Alemanha, Gerhard Schröder. Em encontro realizado em Berlim, ambos chefes de governo voltaram a tratar do assunto.

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Boas relações entre Gerhard Schröder (d) e Recep ErdoganFoto: AP

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, classificou de "produtivo" o diálogo que manteve com o chanceler federal da Alemanha, Gerhard Schröder, em Berlim, no último domingo (03/10). Este foi o último encontro entre os dois chefes de governo antes da divulgação do relatório da Comissão Européia sobre a Turquia, prevista para quarta-feira (06/10).

O documento analisa as reformas realizadas na Turquia com o intuito de avaliar se o país já preenche os critérios para fazer parte da UE. O relatório servirá de orientação para que os 25 países-membros tomem uma decisão a respeito em dezembro próximo.

Schröder voltou a afirmar que defende o ingresso da Turquia na UE, em especial pela disposição de Ancara em contribuir para a política de estabilidade. Como a situação no Oriente Médio e na Ásia Menor ainda é bastante tumultuada, a Turquia, sob o governo de Erdogan, se tornou uma espécie de âncora em prol da estabilidade na região.

De acordo com o chanceler alemão, também é de interesse da União Européia apoiar o propósito da Turquia neste sentido, ou seja, o de "acoplar o islamismo não fundamentalista com os valores europeus para gerar um incremento da estabilidade política tanto na Turquia quanto na Europa".

Agradecimento e esperança

Na capital alemã para receber um prêmio concedido pela Associação Werkstatt Deutschland por seu papel de ponte entre o Oriente e o Ocidente, o primeiro-ministro turco agradeceu pessoalmente o apoio do chanceler alemão. Erdogan afirmou ainda que, depois de tanta disposição em preencher os requisitos para o ingresso de seu país na UE, não há motivos para uma recusa ou mesmo uma prorrogação das negociações.

"Isto seria um golpe duro para mim e meu povo, pois fizemos nossa tarefa. O comissário Verheugen disse que não há mais problemas. Eu não acredito em uma resposta negativa".

Observando mudanças

É verdade que o alemão Günter Verheugen, comissário da UE para a ampliação, não têm poupado elogios ao governo turco depois das mudanças que o país vêm inplementando. Mesmo assim, o comissário acredita que o ingresso não deverá acontecer antes de 2015. O pacote de reformas aprovado no dia 26 de setembro, contendo cerca de 350 novas leis, foi um importante passo rumo à UE.

O novo código penal, maior liberdade de imprensa, punição mais severa em casos de tortura e atenção aos direitos das mulheres na sociedade são algumas das mudanças que não passaram despercebidas. Toda esta reestruturação aconteceu para atender a um objetivo. Mas serão suficientes para convencer a todos?

"Somente modificar as leis não resolve o problema. Mais importante é sua implementação. Isto é o mais difícil. Significa uma mudança de mentalidade, fato que exige uma nova luta. Mas estamos decididos a mudar e temos o desejo político de contribuir para o sucesso desta implementação", ponderou Erdogan, ciente dos temores e do ceticismo que pairam sob a Turquia.

Divergências internas

Apesar do apoio propagandista de Schröder, uma futura adesão da Turquia na UE não é consenso na Alemanha. Os partidos de oposição e mesmo alguns representantes do governo de coalizão são contrários ou bem mais comedidos nesta questão.

A presidente da União Democrata-Cristã, Ângela Merkel, declarou que a UE não suportaria o ingresso da Turquia, referindo-se indiretamente aos altos custos desta adesão, estimados entre 16 e 28 bilhões de euros por ano, de acordo com o atual critério de fomento. Seguindo a mesma linha de pensamento, o presidente do Partido Liberal, Guido Westerwelle, acentuou que a Turquia ainda não está preparada para fazer parte do bloco.

Falta unanimidade

A falta de consenso entre os políticos alemães não é exceção. Os países-membros também estão divididos. A França, por exemplo, já anunciou que pretende fazer um plebiscito antes de dar seu voto. O curioso é que nem mesmo os turcos apóiam em sua grande maioria o ingresso na UE. Cerca de 30% da população não é favorável aos planos de Ancara.