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Lula quer estratégia internacional contra extrema direita

23 de abril de 2024

Presidente brasileiro propõe encontro de "presidentes democratas" para discutir como barrar crescimento da extrema direita mundo afora. Segundo Lula, ideia já foi apresentada aos líderes da França e da Espanha.

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Lula e Macron
Lula e Macron durante visita do presidente francês ao Brasil no fim de marçoFoto: Eraldo Peres/AP/picture alliance

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira (23/04) que pretende promover um encontro com chefes de governo e de Estado "democratas" para discutir estratégias para conter o crescimento da extrema direita mundo afora.

Lula da Silva disse que já apresentou a proposta ao premiê espanhol, Pedro Sánchez, e ao Presidente francês, Emmanuel Macron, e que pretende discuti-la com outros líderes, antes da Assembleia Geral das Nações Unidas, marcada para setembro, em Nova York. O presidente recebeu recentemente Sánchez e Macron no Brasil, em duas visitas de Estado.

"Os setores de esquerda, progressista, os setores democratas têm que se organizar. Eu falei com Pedro Sánchez, falei com Macron, estou tentando ver se a gente consegue fazer uma reunião com os chamados presidentes democratas por ocasião da Assembleia Geral das Nações Unidas para a gente definir uma estratégia de como vamos, a nível internacional, enfrentar o crescimento da extrema direita e suas matizes", disse Lula, durante um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto.

Avanço da extrema direita

Lula ainda apontou que em seus mandatos anteriores a maioria dos países da América do Sul era governada por presidentes "com compromisso com a esquerda e com a tese de um Estado socialmente justo". "Se você pegar América do Sul hoje, você percebe que houve um retrocesso exatamente pelo conhecimento da extrema-direita, pelo crescimento da xenofobia, pelo crescimento do racismo, da perseguição a minorias, a pauta de costumes muitas vezes com assuntos retrógrados. Isso ganhou corpo e, por isso, o Brasil tem destaque", disse.

O presidente também citou casos de violência e intolerância no Brasil e avaliou que há um ódio estabelecido que "não existia no país e agora virou uma coisa corriqueira". Ele lembrou que movimentos semelhantes também vêm ocorrendo em nações da Europa e nos Estados Unidos, citando a invasão ao Capitólio por uma turba de extremistas em 6 de janeiro de 2021.

"Foi uma afronta à democracia, e você não pode permitir que a negação das instituições prevaleça. Instituições que foram criadas para manter a democracia, por mais defeitos que elas tenham, é extremamente importante que sejam fortes. Então, os Estados Unidos, que eram a imagem do respeito à democracia, do respeito às instituições, estão do jeito que estão", disse.

Lula ainda comparou os acontecimentos no Capitólio com o ataque às sedes dos Três Poderes em janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente e de extrema direita Jair Bolsonaro depredaram prédios públicos em Brasília.

Aproveitar imagem do Brasil

O presidente disse que pretende aproveitar agora o "otimismo nas relações diplomáticas" com o Brasil para fazer uma "discussão política" sobre esses movimentos e o seu enfrentamento. "Há uma expectativa muito grande com relação ao Brasil e uma expectativa muito grande com relação ao simbolismo da volta da democracia neste país", disse, destacando sua participação em diversos fóruns internacionais deste o início do terceiro mandato.

Segundo Lula, os líderes democráticos "não podem permitir que prevaleça a negação de todas as instituições que foram criadas para manter a democracia" e devem unir forças contra um movimento extremista para o qual "o que há de mais valioso é a mentira".

O líder brasileiro comentou brevemente o ato organizado por Jair Bolsonaro na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, no último domingo. "Não vi o ato [de Bolsonaro]. Não me preocupa atos de fascista, não. Me importa o seguinte, vou fazer esse país dar certo", disse.

jps (Reuters, Lusa, Agência Brasil)