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Objectivos de Desenvolvimento do Milénio: escolaridade para todos na Índia

17 de setembro de 2010

O segundo dos Objectivos do Milénio consiste em assegurar que, em 2015, todas as crianças do mundo possam terminar a escola primária. Na Índia, uma lei introduz agora a escolaridade obrigatória. Mas será suficiente?

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Uma escola de férias, onde crianças de camadas sociais baixas aprendem trabalhos manuais e costura
Uma escola de férias, onde crianças de camadas sociais baixas aprendem trabalhos manuais e costuraFoto: Pia Chandavarkar
Manisha Khandavale tem 12 anos, abandonou a escola e trabalha agora na produção de tijolos
Manisha Khandavale tem 12 anos, abandonou a escola e trabalha agora na produção de tijolosFoto: Pia Chandavarkar

Manisha vive com os pais e os três irmãos num pequeno quarto, na cidade de Tathawade no estado de Maharashtra, na Índia. Há dois anos que a menina de 12 anos trata da casa, enquanto os pais estão no trabalho. Manisha levanta-se cedo, prepara a comida, lava os pratos e a roupa em casa. Frequenta uma escola de férias da organização não-governamental “India Sponsorship Committee”. Lá, aprende canções, trabalhos manuais e costura com outras crianças. Não se trata de uma escola normal – Manisha teve de interromper a sua educação há dois anos.

Mas Manisha tem ainda outras obrigações. Desde que saiu da escola, ajuda os pais no trabalho: a produção de tijolos. Recebe 17 rupias, por dia, o que equivale a menos do que 30 cêntimos de euro.

A cidade de Pune dista de Tathawade cerca de 25 kms. A escola fica na cidade velha. Oficialmente, há aulas do meio-dia e meia até às cinco e meia da tarde tal como noutras escolas estatais.

Gangu está à janela da sala de aula. A menina de sete anos frequenta, há alguns meses, a escola Baburao Sanas, em Pune. A professora não está na sala, as crianças brincam, choram ou gritam e correm de uma ponta à outra da sala.

Os pais de Gangu são trabalhadores sazonais, que andam de cidade em cidade. Passam o ano em viagem pela Índia – à procura de trabalho. Até agora, Gangu não tinha frequentado nenhuma escola, porque tinha estado sempre com os pais. Em Outubro de 2009, Gangu foi adoptada pela organização “Ekalavya”. Agora vive num lar com outras crianças e vai todos os dias à escola. Hoje, em vez de 30 alunos, estão na sala quase 60. A professora de Gangu, Priyanka Gaikwad, tem de substituir a colega da outra turma. De vez em quando bate numa ou noutra criança, quando fazem mais barulho. Se não o fizer, diz, não consegue impor disciplina.

Ouça uma reportagem da autoria de Ratbil Shamel apresentada por Marta Barroso