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Vida volta ao Rio Reno

Neusa Soliz15 de julho de 2003

Um dos principais rios da Europa, o Reno recuperou-se em grande parte da poluição. Peixes e microorganismos voltaram às suas águas. O êxito se deve a um programa de ação que uniu cinco países europeus.

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O Reno na altura de Königswinter: o belo rio já não é uma cloaca a céu abertoFoto: AP

O rio mais caudaloso da Alemanha nasce nos Alpes Suíços e desemboca no Mar do Norte na Holanda. Tem 1320 quilômetros de extensão, vários afluentes e uma bacia fluvial espalhada pela Europa, que abarca 250 mil quilômetros quadrados, com amplas ramificações na Bélgica e Holanda. Sua largura vai de 45 metros em Reichenau, na Suíça, passando por 200 metros na Basiléia e 520 metros em Colônia, até atingir 900 metros em Wesel, não muito distante da fronteira com a Holanda.

Suas águas são usadas para a obtenção de energia e outros fins e o Reno também é uma importante artéria para o transporte de mercadorias, comportando navios de até 3500 toneladas nos trechos mais fundos. Duisburg, à margem do Reno, é o maior porto fluvial da Europa.

Poluído por dejetos industriais e da lavoura, o Reno, que sempre esteve tão presente na literatura, no ideário e nos mitos alemães, tornou-se um rio sem condições de abrigar qualquer tipo de vida. A poluição atingiu seu auge nos anos 60 e 70.

Os vários passos do milagre ambiental

Integrada pela Suíça, França, Alemanha, Holanda e Luxemburgo, a Comissão Internacional de Proteção do Reno (IKSR) foi criada em 1950. Mas foi somente em 1963 que suas tarefas foram definidas: analisar o estado do rio, propor medidas de saneamento, preparar acordos internacionais e elaborar disposições das conferências ministeriais.

Em 1976 foi assinado um primeiro acordo de proteção contra poluição química e outro específico sobre cloretos, com o objetivo de reduzir o teor de sal do rio, de forma a não ultrapassar 200 mg por litro. Em 1991 foi preciso mais um protocolo suplementar para proteger o Reno dos cloretos.

Tankschiff auf Rhein leck und in Brand
Barcos do Corpo de Bombeiro tentam apagar incêndio de um cargueiro transportando produtos químicos no RenoFoto: AP

Em 1987, sob o impaco do incêndio num depósito de produtos químicos da Sandoz, na Suíça, a conferência de ministros dos cinco países decidiu elaborar um Programa de Ação para o Reno até 2000. Seu objetivo era o retorno das espécies migratórias de peixes, entre elas a truta e o salmão. E também estabelecer um conceito integral de ecossistema fluvial, incluindo o leito, as margens e as regiões de inundação para possibilitar uma auto-regulação.

Balanço atual

"Hoje a vida retornou às aguas do Reno. Sua qualidade melhorou muito, a flora e o mundo animal se recuperaram, o programa para a volta do salmão mostra resultados. As empresas situadas à sua margem estão melhor preparadas para evitar incidentes com conseqüências para o rio, graças às recomendações de segurança da IKSR. Os acidentes com derrame de substâncias químicas nocivas diminuíram consideravelmente. Também o plano de ação contra enchentes tem sido implementado com êxito", avaliou o ministro alemão do Meio Ambiente, Jürgen Trittin, no início de julho, elogiando a cooperação dos cinco países além das fronteiras nacionais.

A melhor qualidade da água do Reno é um dos grandes êxitos da proteção ambiental na Europa, segundo Olaf Tschimpke, presidente da Liga de Proteção à Natureza (NABU). A comissão internacional também fez um balanço muito positivo do saneamento do rio, no último encontro em Bonn. O escoamento de substâncias tóxicas diminuiu entre 70% e 100%, conforme a altura do rio. As águas e esgotos de 95% das empresas privadas e municipais passam por estações de tratamento. Praticamente já não são encontradas nas águas do Reno dioxinas e DDT, substâncias altamente tóxicas.

O salmão, a fauna e o futuro

O teor de metais pesados, tais como chumbo, cobre e zinco, bem como de pesticidas, diminuiu consideravelmente. Contudo, ainda não foram atingidas as metas para cádmio e alguns tipos de pesticidas. Problemática continua sendo a concentração de nitrogênio. Proveniente da lavoura e dos campos de pastagem, ele chega ao Reno de forma difusa, através dos solos e dos afluentes.

A fauna fluvial, microorganismos inclusive, também recuperou-se e já é quase tão variada como foi há cem anos. Hoje há salmões e muitas outras espécies de peixes já consideradas extintas em suas águas. Até o início de 2003, mais de 1900 salmões retornaram ao Reno para se reproduzir, o que seriam "sinais iniciais encorajadores", segundo Anne Leidig, da comissão.

A questão é a falta de condições adequadas para os salmões nos afluentes. Os especialistas calculam que somente dentro de dez anos os salmões voltarão a se sentir em casa nas águas da bacia do Reno. Para o êxito do programa, sua pesca continua proibida.

A comissão fixou seus objetivos para os próximos 20 anos em um novo programa. E as diretrizes da União Européia complementam o trabalho ambiental, ao exigir dos países membros a apresentação de um plano geral de uso do solo, o que inclui exploração agrícola, industrial e contruções, abrangendo toda a bacia fluvial do Reno.