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Igrejas pentecostais

Geraldo Hoffmann (av)15 de setembro de 2007

O movimento pentecostal se espalha pelos cinco continentes e compete cada vez mais com outras comunidades religiosas poderosas. Até 2030, seus líderes calculam haver suplantado a Igreja católica, em termo de fiéis.

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'O Rei está chegando' em Lagos, NigériaFoto: AP

O movimento pentecostal é há anos a tendência religiosa que mais cresce em todo o mundo. Especialistas já estimam em mais de meio bilhão o número de seus adeptos, o que ultrapassa, portanto, até mesmo as Igrejas protestantes. O movimento avança sobretudo na América Latina e na África.

A característica mais importante das Igrejas pentecostais, que também é própria do cristianismo, é sua ênfase na ação do Espírito Santo. Além disso, elas prometem a seus seguidores salvação da alma e recompensa material ainda em vida – contanto que paguem o devido dízimo.

Sua principal clientela são os pobres das metrópoles dos países subdesenvolvidos e emergentes. Mas também abordam os jovens da classe média, através das mídias eletrônicas, como a televisão e a internet. Outro alvo importante são os proscritos da sociedade dos países industrializados.

Preceitos retrógrados

Os pentecostais afirmam derivar da Bíblia sua ética e regras para a vida cotidiana. Assim, abominam a prática do homossexualismo, as relações sexuais extraconjugais, o aborto e o consumo alcoólico – pelo menos na fachada. Do mesmo modo que parte da Igreja católica na África assolada pela aids, fazem campanha contra o uso de preservativos.

Muitos igualmente rejeitam a teoria da evolução. Com freqüência, seus pastores e pregadores se destacam por seu apurado tino para negócios. Alguns, como David Oyedepo, fundador da Winner's Church em Lagos, Nigéria, chegaram a tornar-se multimilionários.

As Igrejas pentecostais são missionárias, formam lobbies políticos e demonstram forte engajamento social. Elas mantêm, por exemplo, jardins-de-infância, lares para idosos, hospitais e instituições para doentes mentais e dependentes de drogas. Seus fiéis se apóiam mutuamente nos chamados círculos domésticos, que se encontram todas as semanas para orar e ler a Bíblia.

Brasil à frente

"Entre meados do século 19 e início do século 20, os movimentos pentecostais apareceram em todos os continentes", relata a revista de encontro ecumênico e cooperação internacional Der Überblick, de Hamburgo.

A publicação cita, como origem das "modernas" comunidades pentecostais, os movimentos de salvação e grupos metodistas nascidos no começo do século 20 nos Estados Unidos, embora tendências religiosas semelhantes já existissem na Europa do século 18.

A maior destas Igrejas é a Assembléia de Deus, criada nos EUA. Entretanto, a maioria de seus fiéis não vive no país. Segundo o World Christian Database, em Boston, o Brasil – maior país católico do mundo – também possui o maior número de pentecostais – cerca de 24 milhões –, seguido pelos EUA, com 6 milhões e a Nigéria, com 3,9 milhões de adeptos.

Pelos cinco continentes

Seus missionários se alastram por todo o mundo, não apenas vindos dos EUA, como também do Brasil, Nigéria e Coréia do Sul, aparentemente com sucesso. Líderes pentecostais prevêem ultrapassar, em número de fiéis, os católicos na América Latina até 2030.

Segundo enquete do Pew Research Center de Washington, realizada em outubro de 2006, pertencem às Igrejas pentecostais 20% dos crentes da Guatemala, 33% dos do Quênia, 15% do Brasil, 4% das Filipinas, 10% da África do Sul, 9% do Chile, 18% da Nigéria e 5% dos Estados Unidos.

Somente na África, consta existirem 20 mil locais de culto desta comunidade religiosa. Na Alemanha, o movimento pentecostal conta com cerca de 300 mil seguidores, porém (ainda) mal é percebido publicamente.