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Até que ponto?

28 de agosto de 2009

O premiê israelense, Benjamin Netayahu, visitou a Alemanha e se reuniu com várias lideranças políticas do país. Durante a visita, veio à tona a questão: até que ponto a Alemanha influencia o conflito no Oriente Médio?

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A Alemanha não deixa nenhuma margem de dúvida quanto ao direito de existência do Estado de Israel, tampouco sobre o direito do país à autodefesa. Mas a Alemanha se mantém também firme em prol da fundação de um Estado palestino, ao lado de Israel. Apesar dessa postura cuidadosamente equilibrada entre os dois lados, a Alemanha não é necessariamente considerada um país neutro nas questões que envolvem o Oriente Médio.

A premiê Angela Merkel já recebeu duas vezes críticas veementes do lado árabe. A primeira delas quando declarou, em 2006, que as tropas internacionais, após a guerra do Líbano, ali estariam estacionadas para defender Israel. E a segunda vez quando se posicionou univocamente do lado israelense, durante a guerra na Faixa de Gaza, no início deste ano. Nas duas ocasiões, Merkel colocou-se em visível discordância frente à visão dominante no mundo árabe, focada completamente no sofrimento e no alto número de vítimas libanesas e palestinas, e estigmatizando Israel como único agressor.

A postura alemã tem razões históricas. A política do país para o Oriente Médio continua refletindo a peculiar relação entre Alemanha e Israel em consequência do assassinato de 6 milhões de judeus durante o regime nazista. No país, continua inalteradamente valendo como razão de Estado que, deste contexto histórico, resulta uma responsabilidade especial e duradoura frente a Israel. Merkel concedeu nos últimos anos um valor adicional a essas relações, transformadas em parceria estratégica.

Essas relações especiais não impedem nem proíbem críticas à política israelense: sobretudo a mídia alemã, mas também políticos isolados demonstram com frequência mal-estar em relação ao assunto. Na última quinta-feira (27/08), Merkel exigiu, em Berlim, do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, com rara clareza, o fim da construção de assentamentos por parte de Israel. Mesmo assim, a maioria dos políticos alemães não critica Israel de forma rigorosa ou ofensiva, com é o caso em outros países da UE, a exemplo da França.

Embora não haja nenhuma relação comparável em intensidade com os palestinos ou com países árabes, a palavra da Alemanha também ecoa por lá. Em fins de 2006, por exemplo, o ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, foi um dos primeiros políticos ocidentais a procurar abertamente o contato com o regime sírio, a fim de envolver Damasco mais tarde numa solução mais ampla de paz para a região. Um princípio adotado posteriormente até mesmo pelos EUA.

De forma geral, a Alemanha é vista com muita simpatia no mundo árabe. Sua influência política na região é, contudo, tão limitada quanto suas possibilidades de intervir diretamente perante Israel. Em comparação aos EUA, nem mesmo a União Europeia como um todo dispõe da capacidade de influenciar decisivamente, a ponto de ajustar os mecanismos no conflito do Oriente Médio ou de exercer uma pressão decisiva sobre as partes. Além disso, falta também com frequência aos europeus o consenso político necessário e a determinação.

Os principais méritos da Alemanha no Oriente Médio estão na questão de troca de prisioneiros. Por duas vezes, altos funcionários do serviço secreto alemão conseguiram, graças a seus contatos, mediar uma troca entre Israel e a milícia libanesa Hisbolá. No momento, os alemães se esforçam em negociações secretas pela libertação do soldado israelense Gilad Shalit, em troca de centenas de prisioneiros do Hamas.

Apesar do passado nazista alemão e mesmo diante do fato de a premiê Merkel haver delegado publicamente apenas ao Hamas a culpa pela última guerra na Faixa de Gaza, em questões humanitárias a Alemanha conta notoriamente com a confiança de ambos os lados.

Autor: Rainer Sollich
Revisão: Augusto Valente

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